top of page

Drones na inspeção de barragens de terra: o que a topografia entrega e o que exigir em escopo

Foto do escritor: Dellann Luiz Lima Silva
Dellann Luiz Lima Silva
há 22 minutos
5 min de leitura

O levantamento com drone pode apoiar a inspeção de barragens de aterro, porque gera modelos digitais do terreno e ortomosaicos de alta resolução que permitem registrar e comparar a geometria da estrutura ao longo do tempo. Ele não substitui a instrumentação geotécnica, a inspeção de campo nem a análise do engenheiro responsável: entrega a superfície, com referência geodésica confiável, e é essa referência que torna o dado comparável de uma campanha para outra.

Para quem contrata, a pergunta útil não é apenas se o drone consegue sobrevoar a barragem, mas se o levantamento será controlado, repetível e entregue de forma auditável. Este artigo explica o que a literatura técnica indica, onde a topografia entra, o que o método não mostra e o que exigir em escopo.

Uma revisão sistemática da literatura, conduzida segundo o protocolo PRISMA e publicada em periódico brasileiro, analisou 54 estudos sobre o uso de sistemas de aeronaves não tripuladas na gestão da segurança de barragens. Segundo o resumo, a tecnologia facilita o acesso a áreas remotas, permite identificar falhas de forma antecipada e apoia decisões de gestão de risco (periódico GEOF, UEMS).

Uma revisão sistemática da literatura, conduzida segundo o protocolo PRISMA e publicada em periódico brasileiro, analisou 54 estudos sobre o uso de sistemas de aeronaves não tripuladas na gestão da segurança de barragens. Segundo o resumo, a tecnologia facilita o acesso a áreas remotas, permite identificar falhas de forma antecipada e apoia decisões de gestão de risco (revista GEOF/UEMS).

Outro trabalho, publicado em periódico de geotecnia, propõe uma metodologia complementar baseada em drones para a detecção precoce de anomalias em barragens de aterro. Os autores descrevem diretrizes de planejamento de voo, processamento fotogramétrico com software de código aberto e uma ferramenta de apoio à georreferenciação de pontos de controle, aplicadas a um estudo de caso em uma barragem em Portugal. Eles relatam detecção de anomalias em resolução subcentimétrica e a quantificação de deformações de 15 a 20 mm no coroamento.

Duas ressalvas são necessárias. Trata-se de um único caso de estudo, e os valores observados dependem do equipamento, do planejamento e das condições daquela estrutura. Portanto, não devem ser usados como parâmetro de precisão para outro projeto. Em cada contratação, o desempenho esperado deve ser definido pelo projetista ou pelo responsável técnico da barragem.

Onde a topografia entra na inspeção

A fotogrametria com drone produz medidas sobre a superfície visível. Para que essas medidas tenham valor técnico, é a topografia que fornece a base de referência:

  • Rede de apoio e pontos de controle materializados em campo, com coordenadas determinadas por método geodésico e monografia de cada ponto, para que sejam reocupados nas campanhas seguintes.

  • Pontos de verificação independentes, que não participam do ajuste do modelo e servem apenas para conferir o resultado.

  • Georreferenciamento do modelo digital e do ortomosaico no mesmo sistema de referência em todas as campanhas.

  • Extração de seções, perfis do coroamento e dos taludes e comparação entre campanhas sobre a mesma base.

  • Relatório técnico com método, equipamentos, controle de qualidade e responsável técnico.

A lógica é a mesma de outros usos de drone em levantamentos, como na cubagem de pilhas de minério com drone: sem controle e sem repetibilidade, a nuvem de pontos vira apenas uma imagem. Com controle e método documentado, vira medida auditável.

O que o levantamento pode e o que não pode mostrar

O dado de superfície é útil para observar feições visíveis e mudanças de geometria. Em geral, ele apoia a identificação de:

  • alterações na geometria do coroamento e dos taludes entre campanhas;

  • feições de erosão, ravinas e sulcos associados ao escoamento superficial;

  • condição de dispositivos de drenagem superficial e de áreas de acúmulo de água;

  • áreas com vegetação, intervenções ou materiais depositados que merecem verificação em campo.

Por outro lado, o levantamento não mede comportamento interno do maciço, como percolação, poropressão ou deformações em profundidade. Esses fenômenos dependem de instrumentação, ensaios e análise geotécnica. O resultado do drone deve entrar como mais uma camada de informação para o engenheiro responsável, e nunca como conclusão de estabilidade.

Cuidados de planejamento que fazem diferença

  • Vegetação sobre o talude: a fotogrametria registra a superfície visível, inclusive a copa da vegetação. Quando o objetivo exige o terreno sob a vegetação, a escolha da tecnologia precisa ser discutida, como no comparativo entre LiDAR e fotogrametria.

  • Parâmetros de voo: sobreposição, altura e resolução do pixel no terreno devem ser definidos conforme o objetivo da inspeção e registrados no relatório, em vez de valores genéricos.

  • Condições de campo: iluminação, sombras sobre taludes e superfícies com água podem afetar o modelo. O plano deve prever a repetição de áreas problemáticas.

  • Autorização e segurança: o voo deve seguir as regras aeronáuticas vigentes e as normas de acesso do empreendimento. Confirme a regra atual antes de contratar.

  • Repetibilidade: manter a mesma rede de referência, o mesmo sistema de coordenadas e procedimentos equivalentes entre as campanhas.

Para entender a diferença entre as tecnologias, leia LiDAR ou fotogrametria com drone: quando cada tecnologia entrega o terreno real. Sobre as regras de operação, veja RBAC-E nº 100 e levantamento com drone.

Checklist do que exigir em escopo

  • Objetivo do levantamento e produtos esperados: modelo digital, ortomosaico, seções, comparação entre campanhas.

  • Sistema de referência e método de determinação dos pontos de controle, com monografias.

  • Pontos de verificação independentes e critério de aceite definido pelo projetista ou pelo responsável técnico.

  • Descrição do equipamento, do planejamento de voo e do processamento.

  • Relatório técnico, arquivos digitais em formatos abertos e responsável técnico com ART ou TRT, quando aplicável.

  • Cronograma e periodicidade das campanhas, mantendo o mesmo procedimento.

Para organizar os entregáveis e os critérios de aceite, consulte também o checklist de aceite do relatório, monografias e arquivos digitais.

Responsabilidade técnica e obrigações do empreendedor

Barragens estão sujeitas a legislação e a regulamentos específicos, que atribuem responsabilidades ao empreendedor e a profissionais habilitados. Esses requisitos variam conforme o tipo de barragem e o órgão fiscalizador, e este artigo não os detalha. O levantamento topográfico entra como insumo técnico, e a interpretação dos resultados e as decisões de segurança cabem ao responsável técnico da estrutura. Antes de definir o escopo, confirme com o projetista e com o órgão competente quais exigências se aplicam ao seu caso.

Como a DNA atua

A DNA Engenharia executa topografia especializada, com uso de drone, GNSS e estação total, para construção civil, mineração, usinas solares e parques eólicos, com atendimento em todo o Brasil. O escopo, os produtos e o controle de qualidade são definidos caso a caso, a partir do objetivo do contratante e das exigências do projeto. Conheça os serviços ou fale com a nossa equipe para discutir o seu levantamento.

Perguntas frequentes

O drone substitui a instrumentação da barragem?

Não. O drone registra a superfície e a geometria visível. O comportamento interno do maciço é acompanhado por instrumentação, ensaios e análise geotécnica.

Qual precisão posso esperar do levantamento?

Depende do equipamento, do planejamento de voo, dos pontos de controle e das condições do local. O critério de aceite deve ser definido pelo projetista ou pelo responsável técnico, e não por valores genéricos.

Com que frequência as campanhas devem ser repetidas?

A periodicidade deve ser definida pelo responsável técnico e pelas exigências aplicáveis à estrutura. O essencial é manter a mesma referência e o mesmo procedimento entre as campanhas.

O levantamento precisa de responsável técnico?

Os produtos topográficos devem ser entregues com responsável técnico habilitado e, quando aplicável, com ART ou TRT. Confirme a exigência no contrato e junto ao conselho profissional.

Fontes consultadas

 
 
 

Posts recentes

Ver tudo

Comentários


Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.
bottom of page